O Papel do Psicólogo no Tratamento da Cirurgia Bariátrica de Bypass

Da avaliação pré-operatória obrigatória ao acompanhamento após a cirurgia: entenda por que o psicólogo é essencial no bypass gástrico, com base em diretrizes da SBCBM e estudos científicos.

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Ilustração de um encontro de apoio entre psicólogo e paciente em ambiente clínico, com o título “O Papel do Psicólogo na Cirurgia Bariátrica”

O bypass gástrico em Y de Roux muda o corpo de forma rápida e profunda, mas a adaptação emocional a essa mudança segue um ritmo próprio. Por isso o psicólogo não é uma etapa burocrática do processo bariátrico: é um dos profissionais que mais influencia se a perda de peso vai se manter, e se o paciente vai chegar ao outro lado da cirurgia psicologicamente preparado. Reunimos abaixo o papel real desse acompanhamento, do pré ao pós-operatório, com base em diretrizes profissionais e estudos científicos.

1. Um requisito obrigatório, não uma formalidade #

No Brasil, a avaliação psicológica pré-operatória é exigida pelas diretrizes profissionais desde a resolução do Conselho Federal de Medicina de 2005 e o Consenso Multissocietário em Cirurgia Bariátrica, que instituíram a presença de uma equipe multidisciplinar — incluindo o psicólogo — junto ao cirurgião bariátrico, conforme reportado pela SBCBM. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) formalizou essas exigências nas Diretrizes Brasileiras de Assistência Psicológica em Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que cobrem desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento no pós-operatório, segundo a SBCBM.

2. O que a avaliação pré-operatória investiga #

A avaliação psicológica pré-operatória é capaz de identificar transtornos comportamentais — alimentares, de compras, uso de substâncias — além de sintomas de depressão e ansiedade que podem comprometer o resultado da cirurgia, de acordo com o Instituto Contemporâneo. O psicólogo também avalia se o problema é de fato a obesidade e não uma questão emocional subjacente dificultando a perda de peso, e se o paciente compreende os riscos do procedimento e os cuidados necessários no pós-operatório, segundo o Instituto Contemporâneo. Estudos publicados na Revista Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (ABCD) mostram que essa avaliação segue práticas estruturadas, com entrevistas clínicas e instrumentos validados para mapear motivação, expectativas e suporte social do paciente, conforme a SciELO.

3. Bypass gástrico e o risco de transtorno por uso de álcool #

O bypass em Y de Roux é, especificamente, a técnica bariátrica associada ao maior risco de desenvolvimento de transtorno por uso de álcool no pós-operatório — um dado que aumenta a importância do acompanhamento psicológico contínuo, e não apenas da avaliação pré-operatória. Um estudo publicado na Clinical Gastroenterology and Hepatology encontrou um risco 51% maior de complicações relacionadas ao álcool e doença hepática em pacientes submetidos ao bypass, em comparação a outras técnicas, segundo a PMC/NCBI. O risco começa a aparecer a partir do primeiro ano após a cirurgia e tende a aumentar em acompanhamentos mais longos, com uma provável explicação fisiológica: o bypass altera a forma como o corpo absorve o álcool, elevando o pico de concentração no sangue, de acordo com a PMC/NCBI. Histórico prévio de compulsão alimentar, transtornos psiquiátricos e baixo suporte psicológico estão entre os principais fatores de risco identificados, o que reforça por que rastrear esses fatores antes da cirurgia — e não só depois — é parte do trabalho do psicólogo.

4. Acompanhamento psicológico no pós-operatório #

No pós-operatório, o foco do psicólogo muda: passa a ser a adaptação do paciente às mudanças de imagem corporal, os ajustes psicossociais e o manejo emocional da nova rotina alimentar, segundo a SBCBM. A Cleveland Clinic desenvolveu um instrumento próprio para esse acompanhamento, o Cleveland Clinic Behavioral Rating System, que avalia domínios como adesão ao tratamento, suporte social, manejo de estresse, saúde mental e comportamento alimentar tanto antes quanto depois da cirurgia, conforme a Cleveland Clinic. Segundo a Mayo Clinic, cerca de 70% a 80% dos pacientes que passam por bypass gástrico mantêm a perda de peso após cinco anos, e o acompanhamento com um profissional de saúde mental antes da cirurgia ajuda a preparar o terreno para esse sucesso a longo prazo, de acordo com a Mayo Clinic.

5. Terapia cognitivo-comportamental e prevenção do reganho de peso #

O reganho de peso a longo prazo está parcialmente associado a fatores psicológicos, o que torna o acompanhamento pós-operatório tão relevante quanto a cirurgia em si, segundo a PMC/NCBI. Um grupo de psicoterapia cognitivo-comportamental de curta duração, aplicado a pacientes no pós-operatório, produziu ganhos significativos no bem-estar psicológico desses pacientes, de acordo com o mesmo estudo publicado na PMC/NCBI. O resultado sustenta a lógica por trás das diretrizes brasileiras e internacionais: intervenções psicossociais no pós-operatório não são um extra, são parte do que sustenta o resultado da cirurgia a longo prazo.

6. O psicólogo como parte da equipe multidisciplinar #

Do início ao fim do tratamento, o psicólogo atua lado a lado com cirurgião, nutricionista e endocrinologista — não como uma etapa isolada de aprovação, mas como parte contínua da equipe multidisciplinar prevista pelas diretrizes do Conselho Federal de Psicologia e da SBCBM, segundo a SBCBM. É esse acompanhamento contínuo — e não apenas um laudo pré-operatório — que a evidência científica associa a melhores resultados de longo prazo.

Referências #

  1. SBCBM — Diretrizes Brasileiras de Assistência Psicológica em Cirurgia Bariátrica e Metabólica — base regulatória e diretrizes para a atuação do psicólogo no pré e pós-operatório.
  2. Instituto Contemporâneo — Avaliação e Intervenção Psicológica no Pré e Pós-Operatório da Cirurgia Bariátrica — o que a avaliação pré-operatória investiga.
  3. SciELO — Avaliação psicológica para cirurgia bariátrica: práticas atuais — instrumentos e práticas da avaliação pré-operatória.
  4. PMC/NCBI — Roux-en-Y gastric bypass is associated with increased hazard for de novo alcohol-related complications and liver disease — risco de transtorno por uso de álcool após o bypass.
  5. Cleveland Clinic — Researchers correlate psychosocial characteristics with weight recurrence following bariatric surgery — acompanhamento psicológico pós-operatório e reganho de peso.
  6. Mayo Clinic — Work with a counselor before weight-loss surgery for success — taxas de sucesso a longo prazo e papel do aconselhamento.
  7. PMC/NCBI — Impact of a CBT psychotherapy group on post-operative bariatric patients — terapia cognitivo-comportamental e reganho de peso.